O saldo da última International Poultry Expo, feira avícola em Atlanta (EUA), foi positivo ao segmento de alimentação animal. Membros de diversas associações latino-americanas se reuniram no local e criaram a Feed Latina, planejada para aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. A intenção é que o bloco se concentre nos temas relacionados à segurança alimentar, levando em conta as respectivas legislações e preocupações comerciais.
A América Latina congrega 20% da alimentação animal, ou 120 milhões de toneladas. O Brasil produz de 40% a 45% disso. “A idéia com a fundação desta associação é interagir, discutir a legislação e, no momento em que as associações de indústrias se entendam, levar isso aos governos e facilitar o contato com cada governo. Vai favorecer quem precisa exportar e quem precisa importar”, diz Ariovaldo Zanni, membro do board da International Feed Industry Federation (Ifif) e diretor-executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Alimentação Animal (Sindirações). Ele é diretor-tesoureiro da Feed Latina, cujo conselho será presidido inicialmente pelo Brasil, Argentina e México, por meio das associações nacionais. O novo órgão tem o apoio da FAO, Ifif e da American Feed Industry Association (Afia).
O fortalecimento do bloco de produtores da América Latina vem em boa época. Zanni mostra apreensão em relação às exigências européias sobre os produtos de origem animal. “Estivemos reunidos com as comissões avaliadoras e ficou nítido que os blocos exigem regras sempre mais rígidas em relação à segurança alimentar.” Segundo ele, os Estados Unidos, apesar de possuírem forte fiscalização pelo Food and Drug Administration (FDA), tendem a se concentrar mais nas questões comerciais. “O grande desafio é buscar segurança alimentar, não como eles querem, mas o que eles querem. Sabemos que nosso alimento é seguro, mas se os europeus exigem um relatório de certa maneira, deve ser assim. Não adianta reclamar do cliente, devemos oferecer o que ele quer.”